DA INFÂNCIA PARA A ADOLESCÊNCIA
Ontem brincava de carrinhos
Hoje já dirijo um carro.
Brincar era bom
Agora não é mais
Antes só pensava em brincar
Hoje só penso em namorar
Minha fome mudou
Antes comia como um passarinho
Hoje como igual a um leão.
Francisco e Felipe
terça-feira, 14 de abril de 2009
Infância
(Flávio Villa-Lobos)
Felicidade tão perto, voraz
percepção do novo,
tempo bastante para desperdiçar
o hoje.
Vivas lembranças do ainda
ontem,
o amanhã tão longe.
Sabor de morango, chuva
no quintal.
Latido de cão,
a rã no bolso da calça
- nada mais natural,
mamãe...
Atiradeira invencível,
pedaços de vidro
espalhados pelo chão.
O cheiro de hortelã,
pipa no ar.
Caminho de terra,
relva úmida,
a casa da vovó.
Um silêncio estranho,
familiares distantes chegando.
- Papai...o vovô
não quer mais brincar.
Bola de gude, bola de meia
a correr pela rua,
sempre no rastro
da lua cheia.
- Menino, já para cama!
O quarto-esconderijo, prendendo
minhas asas de anjo.
Medo do escuro,
segredos no porão.
Mariazinha não tem medo não...
O primeiro beijo é assim mesmo?
Ah!... nunca mais viver
aquela sensação.
Liberdade até andar
entre gigantes.
Será que um dia ainda vou?
Natal de muitas
árvores,
presentes tão bons e tantos.
Mamãe chorava
nessas horas...
meu pai escondia o pranto.
Quando eu crescer, quem sabe?
De repente, estampada no palavrão
- maioridade -
o prenúncio da dor.
Acabou-se o que era doce...
quero voltar, por favor.
(Flávio Villa-Lobos)
Felicidade tão perto, voraz
percepção do novo,
tempo bastante para desperdiçar
o hoje.
Vivas lembranças do ainda
ontem,
o amanhã tão longe.
Sabor de morango, chuva
no quintal.
Latido de cão,
a rã no bolso da calça
- nada mais natural,
mamãe...
Atiradeira invencível,
pedaços de vidro
espalhados pelo chão.
O cheiro de hortelã,
pipa no ar.
Caminho de terra,
relva úmida,
a casa da vovó.
Um silêncio estranho,
familiares distantes chegando.
- Papai...o vovô
não quer mais brincar.
Bola de gude, bola de meia
a correr pela rua,
sempre no rastro
da lua cheia.
- Menino, já para cama!
O quarto-esconderijo, prendendo
minhas asas de anjo.
Medo do escuro,
segredos no porão.
Mariazinha não tem medo não...
O primeiro beijo é assim mesmo?
Ah!... nunca mais viver
aquela sensação.
Liberdade até andar
entre gigantes.
Será que um dia ainda vou?
Natal de muitas
árvores,
presentes tão bons e tantos.
Mamãe chorava
nessas horas...
meu pai escondia o pranto.
Quando eu crescer, quem sabe?
De repente, estampada no palavrão
- maioridade -
o prenúncio da dor.
Acabou-se o que era doce...
quero voltar, por favor.
A CAMISINHA
Eu sempre transava
Sem camisinha
Transei com tantas gurias,
Mas a que eu engravidei
Era a minha vizinha.
No dia em que ele nasceu
Eu assumi,
Mas eu tinha feito
Tantas coisas erradas
Que me dava vontade
De sumir.
Na hora que tu tá
Fazendo amor
Tu só pensa no prazer
E não pensa em usar
Camisinha e nem
No filho que
Pode trazer...
Yago e Jardel
Eu sempre transava
Sem camisinha
Transei com tantas gurias,
Mas a que eu engravidei
Era a minha vizinha.
No dia em que ele nasceu
Eu assumi,
Mas eu tinha feito
Tantas coisas erradas
Que me dava vontade
De sumir.
Na hora que tu tá
Fazendo amor
Tu só pensa no prazer
E não pensa em usar
Camisinha e nem
No filho que
Pode trazer...
Yago e Jardel
Súplica
(Flávio Villa-Lobos)
Dá-me de beber neste cálice mágico:
quero sorver o líquido precioso.
Deixa-me saciar a sede infinita
ante o mistério engenhoso
que nasce do desejo, num átimo
maravilhoso e sucumbe à desdita
do amor impossível, insano.
Desvenda meus olhos mergulhados
na escuridão de tantos anos.
Faz-me sentir o caos sublime
que habita um coração apaixonado.
Quero reaprender a felicidade,
sentir a calmaria das águas
depois da tempestade.
Ensina-me o calor de tuas mãos
dentro da noite fria, sem lua.
Acolhe meus braços com ternura,
como se fosse para sempre.
Cuida de mim, simplesmente
como se eu fosse teu...
como se minha vida fosse tua.
(Flávio Villa-Lobos)
Dá-me de beber neste cálice mágico:
quero sorver o líquido precioso.
Deixa-me saciar a sede infinita
ante o mistério engenhoso
que nasce do desejo, num átimo
maravilhoso e sucumbe à desdita
do amor impossível, insano.
Desvenda meus olhos mergulhados
na escuridão de tantos anos.
Faz-me sentir o caos sublime
que habita um coração apaixonado.
Quero reaprender a felicidade,
sentir a calmaria das águas
depois da tempestade.
Ensina-me o calor de tuas mãos
dentro da noite fria, sem lua.
Acolhe meus braços com ternura,
como se fosse para sempre.
Cuida de mim, simplesmente
como se eu fosse teu...
como se minha vida fosse tua.
AOS ADOLESCENTES
AOS ADOLESCENTES
Adolescentes apaixonados
Construo-lhes um mundo de silêncio
De onde não possam fugir os seus segredos.
Um mundo todo de espelhos mágicos
Que possam refletir imagens
Dos amores dos outros...
E em que os adultos vejam seus próprios amores,
Seus tenros amores,
Esquecidos ou não vividos,
Vivendo... ou revivendo...
E porque estarão vendo seus próprios amores,
Não sentirão angústias,
Não sentirão Ciúmes.
E todos nós seremos, no seu mundo,
Adolescentes –
Adolescentes apaixonados!Autor: Zuleika
AOS ADOLESCENTES
Adolescentes apaixonados
Construo-lhes um mundo de silêncio
De onde não possam fugir os seus segredos.
Um mundo todo de espelhos mágicos
Que possam refletir imagens
Dos amores dos outros...
E em que os adultos vejam seus próprios amores,
Seus tenros amores,
Esquecidos ou não vividos,
Vivendo... ou revivendo...
E porque estarão vendo seus próprios amores,
Não sentirão angústias,
Não sentirão Ciúmes.
E todos nós seremos, no seu mundo,
Adolescentes –
Adolescentes apaixonados!Autor: Zuleika
NORTE
(Flávio Villa-Lobos)
Minha fome é outra.
Não aquela que abre um buraco negro
no estômago
- vazio invisível,
que da boca algum alimento
lácteo - via esôfago -
cessa prontamente
até a próxima angústia.
Minha fome é outra.
Não um simples estar-no-mundo,
como disse Drummond
- o universo para mim
é pouco.
Minha fome salta como louca,
labareda intrépida
num incêndio grandioso.
Ela me devorará
ainda que eu entregue os pontos;
a eternidade é uma tosca
linha de partida
no horizonte, a cegar-me o olho.
Sim, minha fome é outra
- indigesta, não toca
as iguarias da estalagem.
Não tem nome,
nem forma, nem nada.
Apenas remove
montanhas, ajudando-me a vencer
o caminho penoso
sem jamais perder de vista
a paisagem.
(Flávio Villa-Lobos)
Minha fome é outra.
Não aquela que abre um buraco negro
no estômago
- vazio invisível,
que da boca algum alimento
lácteo - via esôfago -
cessa prontamente
até a próxima angústia.
Minha fome é outra.
Não um simples estar-no-mundo,
como disse Drummond
- o universo para mim
é pouco.
Minha fome salta como louca,
labareda intrépida
num incêndio grandioso.
Ela me devorará
ainda que eu entregue os pontos;
a eternidade é uma tosca
linha de partida
no horizonte, a cegar-me o olho.
Sim, minha fome é outra
- indigesta, não toca
as iguarias da estalagem.
Não tem nome,
nem forma, nem nada.
Apenas remove
montanhas, ajudando-me a vencer
o caminho penoso
sem jamais perder de vista
a paisagem.
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